Resumo
Subscrevendo os pressupostos da abordagem da Sociologia da Infância que considera
as crianças como actores sociais e advoga a etnografia como uma metodologia útil para fazer
ouvir as vozes das crianças na produção de dados sociológicos (James & Prout 1990),
reflectem-se neste texto algumas questões epistemológicas, teóricas, metodológicas e éticas
inerentes à experiência no terreno com um grupo de crianças dos 3-6 anos, durante um ano
lectivo, num Jardim de Infância (JI) localizado em meio urbano. A abordagem do princípio
teórico e ético da obtenção do consentimento informado e da sua prática junto de crianças
pequenas, visa discutir as tensões e os limites entre aquela noção e a de assentimento no
decurso da observação participante. A análise de algumas configurações que o assentimento e
as recusas por parte destas crianças podem assumir ao longo da pesquisa, procura evidenciá-lo
como um processo contingente, heterogéneo e dependente da relação social de investigação
que vai sendo construída bem como das interpretações que as crianças tecem acerca da pessoa
da investigadora.
Manuela Ferreira
Artigo completo: http://sigarra.up.pt/fpceup/publs_pesquisa.formview?p_id=69732